enquanto isso eu desatino

terça-feira, 13 de outubro de 2009

- Olha, eu não tenho mais nada para te dizer. Eu, que nunca fui muito de calar, acho que é o melhor que posso fazer agora, digo agora que me falta forças.
- Mas eu tenho.
- Então guarde tudo para você, cada minimo detalhe, cada minima palavra. Se mostre homem pelo menos uma vez na vida e continue a esconder. Esconda tudo, absolutamente tudo que escondeu de mim, de você e da sua paz todo esse tempo.
- Não, dessa vez eu prefiro não ser homem. Não ser homem como todas as vezes que eu fui parar te ferir, todas as vezes que eu fui para te machucar e não dizer que era você que me fazia feliz.
- Pois então continue a guardar, eu sinto muito.
- Mas eu ainda tenho o que falar.
- Me perdoe, eu não.

Foi exatamente nesse dia que eu chorei, chorei por não ter sido mulher e ter dito tudo que eu tinha para dizer, chorei mais ainda pelo telefone, que não tocava novamente e pelo ceu, que ensaiava chover fazia horas.
Dias depois eu já estava caminhando com as minhas próprias pernas e passando por cima das lagrimas, que eu deixei escapar dos meus olhos por horas incontáveis, estava ouvindo as musicas preferidas, comendo sem me importar se eu ficaria gorda e seria mais feia que as outras. Quando pude ver, eu também estava me maquiando, rodaeada de roupas novas, bolsas, sapatos, que vieram cercadas de pessoas tão coloridas e brilhantes. Quando eu vi, eu era tão linda como eu sempre desejei ser, só que não precisei me esforçar nada para isso. Não precisei me sentir pior que ninguém e não demorou tanto -embora antes tivesse parecido uma eternidade- para que eu me sentisse melhor.
Não demorou também para que outro alguém arrancasse meus sorrisos e dedicasse a mim todas aquelas brigas sem fundamento e ciumes bobos de coisas idiotas. Demorou menos ainda para que eu novamente voltasse a viver - e volto a dizer, quando se passa, parece uma aternidade -, fazer planos para o futuro e dizer novamente que queria uma família, toda aquela baboseira de novo, toda aquela pertubação de arrancar paz que nos faz sentir vivos.
E aí quando eu voltei e me aprontava para tomar o meu banho você decidiu ligar, e no telefone, me disse tudo que tinha pra dizer, tudo que você deveria ter dito mesmo contra a minha vontade, e eu descobri, que as coisas que eu tinha para te dizer -e não disse porque não fui mulher suficiente- eram muito menores do que eu -caso contrário, elas teriam tomado conta de mim-, que o telefone tocando com a sua ligação não era tão bom quanto eu achava que era e que o ceu ensaiando chover era um clima ótimo para um filme a dois, de preferencia, na companhia de quem gosta de nos contrariar.

13 comentários:

Lorena Portela disse...

tá tão legal aqui... música linda!

Gabriela M. disse...

muito bonitinho seu blog!
adorei tudo aqui!!!

obrigada por sua visita!! ;)
pode linkar sim, flor.

bjb j ;**

meus instantes e momentos disse...

muito bom, gostei daqui.
Maurizio

falkbrito@gmail.com disse...

Lindo texto. Visitarei você outras vezes. Beijos!

Cαmiilα ♥ disse...

Que bom que voltou Rai!
E tá lindo aqui, viu?!

Quanto ao post, a gente é mais forte do que imagina neah?! E graças ao tempo toda dor passa.

Um beijO

wcastanheira disse...

Lindo texto, belo conteúdo, adorei andar por aqui, lindo seu perfil vc é mto fotogênica, além disto sua página esta muito boa de conteúdo, adorei andar por aqui, bebericar deste conto instigante e poético, parabéns, bjos, bjos, bjosss

Camila disse...

gostoso ler seu blog ;D

Varda disse...

"Então guarde tudo para você, cada minimo detalhe, cada minima palavra. Se mostre homem pelo menos uma vez na vida e continue a esconder. Esconda tudo, absolutamente tudo que escondeu de mim, de você e da sua paz todo esse tempo."

DETONOU

Dayane disse...

Poutz!Ele se ferrou agora"Que bela enobada,hein!Rs.

Ana Paula disse...

Tmb acho que o céu ameaçando chover é um clima ótimo para um filme a dois, de preferencia de quem gosta de nos contrariar... ^^

ma! =) disse...

Meu Deus, que lindo.
Você escreve muito bem, gostei.

Jéssica Trabuco disse...

Quando a gente menos espera é que a nossa força aparece.
Gostei do blog (:

Ana disse...

Me lembrou parte de uma música dos Engenheiros...

'... eu que não fumo, queria um cigarro, eu que não amo você...'

Texto bonito, viu.

Beijos.